quarta-feira, 22 de abril de 2009
Não resisto a umas boas risadas...
Degustação de vinho em Minas !!!!!!!!!!!!!!
- Hummm...
- Hummm...
- Eca!!!
- Eca?! Quem falou Eca?
- Fui eu, sô! O senhor num acha que esse vinho tá com um gostim estranho?
- Que é isso?! Ele lembra frutas secas adamascadas,
com leve toque de trufas brancas,
revelando um retrogosto persistente, mas sutil,
que enevoa as papilas de lembranças tropicais atávicas...
- Putaquepariu sô! E o senhor cheirou isso tudo aí no copo?!
- Claro! Sou um enólogo laureado. E o senhor?
- Cebesta, eu não! Sou isso não senhor!!
Mas que isso aqui tá me cheirando iguarzinho
à minha egüinha Gertrudes depois da chuva,
lá isso tá!
- Ai, que heresia! Valei-me São Mouton Rothschild!
- O senhor me desculpe, mas eu vi o senhor sacudindo
o copo e enfiando o narigão lá dentro.
O senhor tá gripado, é?
- Não, meu amigo, são técnicas internacionais de degustação entende?
Caso queira, posso ser seu mestre na arte enológica.
O senhor aprenderá como segurar a garrafa,
sacar a rolha, escolher a taça,
deitar o vinho e, então...
- E intão moiá o biscoito, né? Tô fora, seu frutinha adamascada!
- O querido não entendeu. O que eu quero é introduzi-lo no...
- Mais num vai introduzi mais é nunca! Desafasta, coisa ruim!
- Calma! O senhor precisa conhecer nosso grupo de degustação.
Hoje, por exemplo, vamos apreciar uns franceses jovens...
- Hã-hã... Eu sabia que tinha francês nessa história lazarenta...
- O senhor poderia começar com um Beaujolais!
- Num beijo lê, nem beijo lá! Eu sô é home, safardana!
- Então, que tal um mais encorpado?
- Óia lá, ocê tá brincano com fogo...
- Ou, então, um suave fresco!
- Seu moço, tome tento, que a minha mão já tá coçando
de vontade de meter um tapa
na sua cara desavergonhada!
- Já sei: iniciemos com um brut, curto e duro.
O senhor vai gostar!
- Num vô não, fio de um cão! Mas num vô, memo!
Num é questão de tamanho e firmeza,
não, seu fióte de brabuleta.
Meu negócio é outro,
qui inté rima com brabuleta...
- Então, vejamos, que tal um aveludado e escorregadio?
- E que tal a mão no pédovido, hein, seu fióte de Belzebu?
- Pra que esse nervosismo todo?
Já sei, o senhor prefere um duro e macio, acertei?
- Eu é qui vô acertá um tapão nas suas venta, cão sarnento! Engulidô de rôia!
- Mole e redondo, com bouquet forte?
- Agora, ocê pulô o corguim!
E é um... e é dois... e é treis!
Num corre, não, fiodaputa!
Vorta aqui que eu te arrebento,
sua bicha fedorenta!...
Luiz Fernando Veríssimo
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